A metáfora do 0 e 1 encontra-se enraizada de diferentes modos em nossa cultura. Bem e mal, bom ou ruim, direita ou esquerda (âmbito político), tudo isso pertence a essa lógica engessada onde dividimos tudo em dois enormes pólos incomunicáveis. Laurie Anderson nos alerta sobre essa polarização do mundo contemporâneo, e dá como exemplo a complexidade de combinações entre zeros e uns em nosso sistema digital, transmitindo assim, a mensagem de que nossa evolução exige diálogo e debate - não somente a exposição de uma ideia dita como verdade absoluta.
Partindo dessa construção, o campo da arquitetura se vê frente a essa polarização, onde tudo se divide entre a arquitetura em massa e a arquitetura singular, pessoal. Cito a criação das casas populares do programa Minha Casa Minha Vida como exemplificação da arquitetura em massa, uma vez que são construídas com as mesmas características estéticas bem como funcionais, não levando em consideração as peculiaridades de cada família que irá habitar o conjunto, e que consequentemente, fará alterações no projeto original a fim de serem melhor atendidas. Em contraponto temos a arquitetura singular do indivíduo que projeta aliando os ideais estéticos à funcionalidade, e obtendo um projeto que melhor se adéqua às necessidades daqueles que irão usufruir da edificação.
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